Ficar milionário não é
fácil, mas é possível atingir o primeiro milhão em 15 anos.
Atingir o primeiro milhão
é um marco simbólico para muita gente que quer enriquecer. Mas como traçar o
caminho para chegar até lá? Ninguém deve se enganar: para a maioria das
pessoas, tornar-se milionário é bem difícil, mas não impossível. Não existe fórmula
mágica, mas para quem tem capacidade de poupança, a meta é alcançável, desde
que se tenha estratégia e disciplina.
Podem
parecer palavras vazias, mas não são. “Se você fizer a lição de casa e investir
300 reais por mês durante 15 anos, você terá investido 54.000 reais. É muito
diferente de investir 54.000 reais de uma vez só, uma única vez. No primeiro
caso, se você aplicou em renda variável e o mercado cair, você vai comemorar,
pois os mesmos 300 reais compram mais papéis”, diz o consultor financeiro e gerente
geral do Instituto Nacional dos Investidores (INI), Mauro Calil.
Investir
periodicamente com disciplina dilui os riscos no tempo e facilita para o
investidor atingir a rentabilidade média desejada. Para Mauro Calil, é possível
tornar-se milionário entre 15 e 30 anos, dependendo da capacidade de poupança,
do perfil dos investimentos escolhidos e do tempo estipulado pela pessoa. “É
importante ter aplicações financeiras diferenciadas, que rendam de 1% a 3% ao
mês na média. É claro que esse valor é alto, mas ele não é constante. Mas
quando o sujeito olha para trás, vê que a alcançou”, diz Calil.
Veja
a seguir o passo a passo para chegar ao seu primeiro milhão:
1. Defina o objetivo do seu milhão
Antes
de sair em busca do seu primeiro milhão – ou da sua independência financeira,
mesmo que ela dependa mais ou menos do que essa quantia – o poupador deve
definir por que almeja esse dinheiro. O objetivo bem definido o ajuda a
perseverar. Para que servirá esse dinheiro? Para parar de trabalhar? Para ter
uma vida confortável? Ou para viver como um rei? Para abrir um negócio e fazer
mais milhões? Será apenas o primeiro milhão ou o primeiro de muitos?
Ao
definir o objetivo, o poupador deve determinar também qual o padrão de vida que
deseja ter e em quanto tempo. Pode ser que a pessoa queira se aposentar jovem,
desejando acumular um milhão de reais em 15 anos; ou então pode ser que só
deseje ter essa quantia quando tiver mais de 60 anos, para poder se aposentar
sem depender da Previdência Social. Caso não deseje parar de trabalhar mesmo ao
acumular um milhão de reais, será possível ter um padrão de vida mais alto,
somando os rendimentos do trabalho e das aplicações financeiras.
2. Fuja das fórmulas mágicas
Não
se iluda acreditando em fórmulas mágicas que o façam alcançar um milhão de
reais em pouco tempo. A rentabilidade das suas aplicações financeiras ajudará a
multiplicar seu dinheiro, mas é o acúmulo de patrimônio a parte principal.
“Todo mundo quer ser rico amanhã, e por conta disso acaba acreditando em
técnicas fabulosas. Infelizmente, não é o que acontece. Uma pessoa pode ir bem
no trade de renda variável num dia, acumulando uma rentabilidade de 30%, e no
outro dia perder tudo. Nos simuladores de ações, pode chegar até a 200% ao ano,
mas com a emoção de investir com dinheiro de verdade a coisa muda de figura”,
lembra Mauro Calil.
3. Poupe religiosamente
Antes
de começar a jornada para o primeiro milhão, o investidor precisará,
obviamente, de capacidade de poupança. Esta varia de acordo com a renda e as
despesas de cada um. Alguém que tenha renda própria, mas more com os pais,
provavelmente terá alta capacidade de poupança ainda que o rendimento mensal
seja baixo. Um casal jovem com filhos pequenos talvez tenha uma capacidade
menor.
O
valor poupado mensalmente deve se manter constante dentro da medida do
possível, isto é, ser sempre o mesmo em cada fase da vida, sendo revisto quando
mudarem as regras do jogo e entrarem em cena novas despesas fixas ou um salário
mais alto. “A pessoa deve definir que vai sempre poupar, no mínimo, x por cento
do salário. Na minha opinião, dever ser no mínimo 10%”, diz Mauro Calil.
4. Calcule o montante a acumular e trace uma
estratégia
Para
definir sua estratégia de investimentos, o poupador deve perseguir determinada
rentabilidade e, anualmente, rever seu plano de acordo com a conjuntura
econômica. Devem ser levadas em conta a inflação e a trajetória da taxa de
juros – a primeira “come” os seus rendimentos; a segunda, quando alta, torna a
renda fixa mais rentável.
O
aspirante a milionário pode tanto calcular quanto precisa poupar mensalmente
para atingir seu objetivo em um período pré-determinado, quanto pode estipular
a sua poupança mensal e, em seguida, calcular em quanto tempo consegue atingir
o objetivo. O ideal é fazer as contas já usando a rentabilidade real,
descontada a inflação, uma vez que um milhão daqui a 30 anos provavelmente
valerá bem menos que um milhão hoje. Se a inflação vem sendo de algo como 0,5%
ao mês e se deseja um juro real de 0,4% ou 0,5% ao mês, a rentabilidade bruta
deverá ser de algo em torno de 1% ao mês, na média, algo possível de se
conseguir em bons investimentos de renda fixa.
Assim,
para alguém de 30 anos de idade que queira atingir seu primeiro milhão em
outros 30 anos, será preciso poupar 1.246,65 reais por mês, para um retorno
real de 0,4% ao mês. No cálculo inverso, alguém de 30 anos que comece a poupar
1.000 reais por mês atingirá o primeiro milhão aos 64 anos, com a mesma
rentabilidade. Quem obtiver rentabilidades reais maiores com seus
investimentos, vai conseguir atingir o objetivo em ainda menos tempo.
O
juro real de 0,4% ao mês é um pouco mais do que aquele pago pela Nota do
Tesouro Nacional-série B mais longa vendida atualmente. Esse título público é
indexado à inflação, e paga um juro real prefixado. A NTN-B com vencimento em
2045 hoje à venda paga um juro real de 4,43% ao ano, algo como 0,36% ao mês.
Outra
maneira de fazer o seu planejamento é aumentar a sua poupança anualmente em uma
proporção igual ou maior à da alta da inflação. Essa é a orientação do educador
financeiro Reinaldo Domingos, e faz parte do seu método DSOP de educação
financeira. “Se a inflação for de 5%, deve-se aumentar a poupança do ano
seguinte ao menos em 5%. Mas o ideal é aumentá-la em uma proporção ainda
maior”, diz Domingos.
Segundo
sua metodologia, para se viver de renda, é preciso que o rendimento com as suas
aplicações financeiras seja pelo menos igual ao dobro da quantia usada para
manter o padrão de vida que se deseja ter. Assim, consome-se metade do
rendimento e se mantém investida a outra metade.
Os melhores investimentos
para quem quer atingir o primeiro milhão:
Tesouro Direto:
O
Tesouro Direto é o investimento mais seguro. Existem papéis de diferentes
prazos, pós-fixados à Selic (LFTs), prefixados (NTN-Fs e LTNs) e os papéis com
uma parte prefixada e outra indexada ao IPCA (NTN-Bs). Estes últimos são os
títulos mais longos, que permitem investimentos de longo prazo e já remuneram
um juro real, uma vez que protegem o investimento da inflação. O título mais
longo à venda atualmente vencemem 2045.
Os
papéis prefixados requerem um pouco mais de habilidade do investidor, uma vez
que especulam com a possibilidade de queda da Selic e não protegem o capital da
inflação. São opções mais arriscadas que a NTN-B quando a perspectiva é de
queda de juros. Ambos os
títulos, porém, podem levar a algumas perdas quando vendidos antes do
vencimento. O mais
seguro é ficar com eles até o vencimento.
As LFTs
remuneram apenas ligeiramente acima da poupança, mas podem ser boas
opções para quem está começando a trajetória de acumulação. Mas é fundamental
que a taxa de administração cobrada pela corretora seja baixa – de preferência
nula. Atualmente, as corretoras Banif, Convenção, Socopa, Spinelli e Título
isentam todos os clientes dessa taxa.Veja como
investir no Tesouro Direto.
CDBs e LCIs de bancos pequenos e médios:
Entre os CDBs de
pequenos e médios bancos, aqueles com liquidez diária já remuneram 100% do CDI.
Com liquidez no vencimento é possível conseguir taxas bem maiores, superando
110% do CDI, dependendo da instituição. Além de investir por meio de
corretoras, o poupador pode investir diretamente por meio do Sofisa Direto ou
do CDB Direto. O Sofisa também dispõe de um CDB atrelado ao IPCA, que preserva
o capital do investidor ao longo do tempo.
Instituições
financeiras pequenas e médias também oferecem Letras de Crédito Imobiliário
(LCIs), que são espécies de CDBs isentos de IR. Nos grandes bancos,
essas aplicações normalmente requerem aportes muito elevados para a pessoa
física. Em instituições menores, esses papéis são mais acessíveis, e oferecem
remunerações em geral mais altas que a poupança. No Sofisa Direto, a LCI mais
curta rende 90% do CDI, mais do que os 70% da Selic oferecidos pela poupança
atualmente. LCIs também são vendidas em corretoras.
No
caso dos CDBs e das LCIs, porém, o investidor não deve aplicar mais do que
70.000 reais em uma única instituição financeira. Esse é o limite
do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante os depósitos em
caso de quebra da instituição financeira. Em ambos os papéis, o risco é de
quebra do banco, que por ser de menor porte, é mais suscetível aos humores do
mercado.
Ações que pagam bons dividendos:
De
acordo com Mauro Calil, o investidor não deve apostar em promessas, apenas em
ações de empresas que pagam altos dividendos. Muitos desses papéis podem não
ser os campeões de valorização no longo prazo, mas garantem uma renda periódica
que pode ser reinvestida e, no futuro, até consumida.
Empresas que pagam bons
dividendos são aquelas que não precisam mais investir tanto em sua atividade
produtiva, e cujos dividendos reduzem o impacto de eventuais quedas nos preços
das ações. Muitas delas têm demanda inelástica, que se mantém mesmo em tempos
de crise, como as empresas do setor elétrico e as fabricantes de cigarros.
Outra
vantagem dos dividendos é que normalmente eles já embutem a inflação. Seja
porque o lucro das empresas já é corrigido pelo indicador – caso das companhias
do setor elétrico, cujas tarifas são corrigidas pela inflação – seja porque a
demanda é tão estável que a inflação pouco afeta os lucros. Assim, é possível
calcular o lucro com os dividendos como sendo o seu lucro real. Ainda assim,
para não ter erro, uma boa dica, segundo especialistas,é escolher
empresas com dividend yield acima de 10%. Mesmo para uma inflação de 6,5%, o
atual teto da meta, a rentabilidade real ainda seria de 3,5%.
Fundos imobiliários:
Ainda
dentro da renda variável, outra possibilidade de geração de renda e
multiplicação do patrimônio são os fundos imobiliários. Suas cotas são
negociadas em Bolsa como se fossem ações, e devem ser compradas pelo home
broker de uma corretora. Mauro Calil acredita que eles possam ser considerados
a porção conservadora do investimento dentro da renda variável, desde que o
investidor aplique em fundos voltados para a geração de renda por meio do
aluguel.
A
pessoa física é isenta de IR sobre os aluguéis, pagando imposto apenas sobre o
lucro obtido com a valorização das cotas quando estas forem vendidas, segundo a
tabela regressiva do IR. Esses fundos geralmente investem em imóveis
corporativos ou recebíveis imobiliários. Assim como no caso das ações pagadoras
de dividendos, o atrativo aqui não é a possibilidade de valorização dos imóveis
e das cotas, mas sim de se obter um bom lucro com aluguéis. Veja como escolher um bom fundo imobiliário.
Opte sempre pelo menor custo
Se
a ideia é fazer o seu bolo crescer, fuja dos custos altos. Girar demais a
carteira ou investir em fundos com altas taxas de administração pode comer boa
parte dos lucros e dificultar ainda mais o processo de enriquecimento.
Tesouro
Direto: prefira as corretoras que não cobram taxa de administração e carregue
os títulos até o final, principalmente se forem prefixados ou atrelados à
inflação.
Fundos
de investimento: se o fundo for de renda fixa conservadora, fuja daqueles que
cobram taxa de administração superior a 1% ao ano. No caso dos fundos de
dividendos, prefira aqueles com taxa de administração em torno de 2% ao ano e
que não cobrem taxa de performance.
Ações
e fundos imobiliários: prefira as corretoras com a combinação mais barata entre
taxa de corretagem e custódia. Para investimentos de longo prazo e com pouco
giro de carteira, prefira as corretoras com isenção de taxa de custódia. Avalie
se realmente vai sair mais barato concentrar todos os seus investimentos numa
mesma corretora. E ao evitar girar muito a carteira, mesmo que os ativos sejam
vendidos em um momento de baixa, a alta de todo o período do investimento pode,
ainda assim, compensar.
IR:
sempre que possível, permaneça em um título ou fundo de investimento até ter
direito à menor alíquota de IR na hora de realizar o lucro. No caso das ações,
use os eventuais prejuízos para abatimento do IR cobrado sobre os lucros superiores
a 20.000 reais por mês nessa modalidade de investimento.




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